quarta-feira, 30 de abril de 2008

PEÇA PARA UM ACTO SÓ


Na esquerda alta, canapé vermelho e almofadas grandes no chão; ao centro alto, mesa de jantar comprida e três cadeiras; na direita alta, porta; na direita baixa, escadote de cinco degraus; na esquerda baixa, porta; centro baixo vazio. Iluminação indirecta que se acenderá de acordo com as movimentações das personagens.

Acto I – Cena I
Jovem de sexo masculino entra pela esquerda baixa e senta-se no escadote.

Jovem (para o público, de forma confidente, mas acre) – Disseram-me para esperar aqui, que não demoravam, que tinham coisas muito importantes para me mostrar… Duvido! É que duvido mesmo! Acham que conseguem demonstrar a… vamos lá a pensar um pouco… a perpetuidade da alma humana ou… esta é boa… a teoria da expansão do universo aqui, num ambiente tão burguês e num dia tão prosaico como o de hoje. Aliás…

Jovem é interrompido pela entrada de uma criança do sexo feminino que se lhe dirige de forma resoluta e que fica parada a mirá-lo.

Jovem (incrédulo) – És tu?

4 comentários:

leonor disse...

Depois de uma temporada ausente, regresso e deparo-me com o início de uma peça de teatro. Belíssima ideia! Fiquei intrigada com as escassas três cadeiras para uma mesa de jantar comprida e com o escadote de cinco degraus. Que demonstração científica ou religiosa irá ter lugar nesse espaço? A presença silenciosa da criança do sexo feminino foi uma boa deixa para quem vem a seguir. Muito bem!

johnsilva disse...

"Que demonstração científica ou religiosa irá ter lugar nesse espaço?"

O sacrifício de uma criança do sexo feminino?

Não, esta ideia foi só para assustar as almas mais sensíveis.

Renata Correia Botelho disse...

Maria! Que começo espectacular! Isto quem tem boas ideias, tem mesmo! E mai nada!

Judite Fernandes disse...

uau...