sexta-feira, 25 de abril de 2008

Pois …. Teodora era malícia e meditação, introspecção e acção. E depois… depois sentia-se culpada. Esta era a sua emoção recorrente: culpa de tudo, culpa de nada, culpa por ter tentado, culpa por ter desistido. Indecisão e dúvida pautavam-lhe os dias, às vezes dava por si a fazer festas à aranha e a apertar-lhe o corpo em demasia. Parecia que ela era o único ser que realmente a entendia, mais até do que ela a si mesma… pois… na verdade, não se entendia nada de nada. Outra dúvida era se às vezes as ideias que lhe surgiam, nasciam da sua própria cabeça se da outra, daquela aranha negra e voluptuosa…. Imensa…

A solidão faz nascer espuma nos cabelos
a imaginação viaja demais num corpo só.

Aquele flash televisivo através da porta não tinha sido o primeiro, nem seria com certeza o último. Alimentavam-na os corpos da vizinhança à distância de uma porta entreaberta. Triste não é?

Antes do Antão, fora o Antero, antes de Antero, Aníbal (ela sempre tivera um certo fetiche pela letra A). Mas não nos percamos… nem de Teodora, mulher íntima, nem da sua arte de aproximação aos homens. Dúvidas assumidas, aproximava-se sempre daquela mesma maneira: primeira a aranha, seus dedos milenares acordando uma qualquer pele nua, depois ela, subtil, salvadora, sua intranquila timidez ajustada como uma máscara perfeita. Não era uma técnica vulgar, pois claro, e os homens, que na sua maioria sentiam aquele primeiro toque como a realização de uma inalcançável fantasia, fugiam dois segundos depois de abrirem os olhos.

Mas nem todos… nem todos.

3 comentários:

Maria das Mercês disse...

isto está a ficar cada vez mais interessante! Muito bem escrito, Judite, sublime, e bastante perverso também!

Maria das Mercês disse...

Ricardo, tu não és ao sábado???

johnsilva disse...

Oh, e eu a pensar que, depois da viúva-negra, apareceria uma cascavel e o tipo, em vez de sair pela porta, saltava pela janela do 15.º andar. Não há direito! :P