quinta-feira, 1 de maio de 2008

Um soturno miar irrompe em fundo. A criança de sexo feminino desvela os seus dentes num sorriso angelical e coloca um relógio no pulso de menina do jovem de sexo masculino. De seguida, expõe uma foto sobre cada uma das cadeiras. Os seus longos cabelos acinzentados saem pela direita alta sem dizer uma palavra.

Jovem (boquiaberto) – Por que raio não posso eu andar sem saber da hora e do mês? (para o público) Causa assim tanta impressão a estes fariseus que eu não me submeta a mais esta regra deste mundo burguês?

Levanta-se para ir ver as fotos sobre as cadeiras e a iluminação apaga-se por completo.

Jovem (enraivecido) – Estão a espiar-me, seus malvados! Então, é isso que a vossa inteligência cósmica tem para me oferecer?!?!

CENA II

Ainda ao escuro, entra a tia da criança de sexo feminino pela direita alta.

Tia (com uma voz grave, colocando a mão no ombro do jovem) – A curiosidade matou o gato!

A luz volta, deixando ver a longa capa roxa que cobre o vestido púrpura da tia, bem como um gato cinzento em cima de cada uma das cadeiras, ocultando as fotos.

Jovem (com desdém) – Então, és tu quem me vai demonstrar como funciona o mundo? Fazer ver o bem e o mal, o lógos do universo, a areté do homem? Enfim, qual é a surpresa que trazes hoje para me incendiar a alma, sua filósofa… da espionagem?

A tia coloca sobre a mesa uma pequena gaiola que estava escondida pela sua capa. No seu interior, está um rato com pêlo branco-sujo.

Tia (com uma pose paternal) – Meu caro irmão, o mundo não é para ser ensinado, mas sim aprendido.

2 comentários:

Maria das Mercês disse...

Como comecei (e vou acabar) esta semana, decidi que não vou comentar. Portanto, não comento... (mas tou gostando!)

johnsilva disse...

Já pareces é uma jogadora de futebol: "Comentários só no final do jogo!" :P