quinta-feira, 15 de maio de 2008

“Life’s a bitch, and I’ve got no talent to be a pimp!” – às vezes penso em estrangeiro, não sei bem porquê, mas devo andar a ver muita televisão. Uma, duas, três, quatro… De que serve a possibilidade de escolha quando nenhuma me compreende? Ou serei eu que não me consigo fazer compreender?

O forno está quente, muito quente – tenho um pequeno inferno aqui na minha casa do Nordeste. Lanço-lhe mais um pouco de lenha e a parede chamuscada torna-se branca com o calor – está mesmo no ponto. Não sei o que me deu hoje, mas parece que acordei com Deus no corpo. Assusta-me todo este poder, desconheço de onde veio este talento, mas não posso fraquejar. Jaz nas minhas próprias mãos o destino dos meus problemas – do pó vieste, em pó te tornarei! É desta!

O veludo acetinado acolchoa-me o corpo pela última vez. É tempo para a despedida. “Minha cara cadeira, tu foste durante 13 anos o reflexo – apenas o reflexo. Olhando-te, a realidade escapava-me!”

A madeira estalava e o fumo já ia alto. Passei um pouco de restaurador Olex pelo cabelo e abri a porta de outro quarto. Pelo seu corpo elegante deslizavam os últimos raios de um alaranjado pôr-do-sol. O seu bico desnudado brilhava intensamente. Uma tira de couro cobria o local sagrado onde coloco os dedos. Divinal estava ali aquela caneta.

3 comentários:

johnsilva disse...

A possibilidade que o Blogger nos dá de fazer regressar no tempo é que é verdadeiramente divinal...

Maria das Mercês disse...

Bom final, John, esquizo q.b., e o facto da ponta final ser um retorno ao tom inicial é realmente muito interessante.

johnsilva disse...

Esquizo q.b. e com uma pitada de sal, a que se junta o fermento e as claras em castelo sff :P