domingo, 4 de maio de 2008

O jovem vira as costas e deita-se na mesa de jantar, a falar com as cadeiras e os gatos, como se a tia não estivesse lá.

Jovem – Odeio-Te. Sem pontos, nem vírgulas, nem qualquer tipo de pausas. E desafio-Te! Vem cá, e diz-me olhos nos olhos que existes, planando omnipresente sobre o mais imperfeito dos mundos… Explica-me porque És Cruel. Explica-me! Queres brincar ao gato e ao rato? Queres???? Com mulheres cinza e púrpura? EU NÃO SOU UMA MARIONETE dos teus caprichos! Sou o dono da minha vida!

Tia – Cucu! Acho que ainda não percebeste bem, jovem…. Levanta a camisa por favor…Não tenhas pressa… mas levanta-a, por favor. (sorri)

O jovem fica algo perplexo, mas obedece e começa a levantar a camisa.

Tia – Já tás a ver o umbigo???? Tás? (o jovem anui com a cabeça) Boa!... Agora passa essa fase por favor… (fala lentamente, como se soletrasse) o teu umbigo não é o centro do mundo…muito menos os teus dramas existenciais… Lamento. Agora vamos avançar para as coisas práticas, please? (Abre a mala)

Começa a ouvir-se piano e uma voz:

em todos os quartos

em todos os cubículos

em todos os pardieiros

uma tragédia e uma comédia

e o mais inesperado dos poemas incompletos

3 comentários:

Judite Fernandes disse...

Mil perdões a todos e a todas. Foi-me completamente impossível... Abraço

Susana disse...

Babe, mais vale tarde k nunca... e em grande estilo!
Deixa lá avisar o Ric para acelerar o processo...
Excelente continuação, Judite!

Maria das Mercês disse...

Confesso que já tinha decidido pegar fogo ao teatrinho! Final dramático! Pronto, já dominei a veia e continuo a gostar...