segunda-feira, 12 de maio de 2008

Contemplei-a uma última vez. Pelo canto da boca entreaberta enforcava-se uma gota de saliva. Limpei-lha com uma carícia do polegar. Ela ronronou. Dei comigo a desapertar o cinto. Um calafrio doce percorreu-me. Estremeci. Agarrei-o com a mão esquerda. Parecia rebentar. Serena continuava com a boca entreaberta. O seu arfar quente queimava-me os miolos. Eram duas da tarde. Não lhe voltei a tocar, como se protestasse. Do caule altivo brotou uma rosa branca. O meu rosto contorceu-se num espasmo violento. O quarto inundado por milhares de pétalas. Sentei-me no chão de madeira com veias vermelhas que desmaiavam. E chorei convulsivamente.

4 comentários:

Maria das Mercês disse...

Susana, que texto tão sugestivo!

Maria das Mercês disse...

Opá, Mário, desculpa, o texto é teu e não da Susana! Troquei os nomes mas não me enganei na apreciação... Gostei mesmo!

Ricardo disse...

lol...é mesmo, acho que cada texto podia estar a falar de milhentas coisas ou da mesma.Estranha Harmonia! Muito Bom Mário e Su.

Susana disse...

Mário, adoro quando recorres a este registo. Sensível, poético, rudemente erótico.
Mui bien!