sexta-feira, 9 de maio de 2008

Serena… Isto deve ter sido há uns dois anos, não? Aquela sala, aquela cadeira. Tenho dificuldade em contar esta história. Não sei se quero que me compreendam. Não preciso disso. Não sei se quero que conheçam a sua divinal estrutura de ninfa, o gosto salgado dos seus cabelos, a clareza extraordinária do seu modo branco de pensar. Gosto de Rimbaud, eu. Sou um bom profissional, orgulho-me disso.

Escreveria assim, tentando de não vos dizer nada:

A ninguém, os monstros
apenas ao seu silêncio.
A ninguém, o perdão
nem à amargura das rosas
nem ao meu corpo de homem triste.

Eu sou o nojo e a covardia.
E existo.

Mesmo aqui,
ao vosso lado.

Há dois anos, era eu o espectador de sua beleza celeste naquela manhã cálida. Esperei até ter a certeza que ela dormia e abri devagar a sua mala. Preferem que me cale?... Tirei a roupa dobradinha e fui arrumando nas gavetas. Sentia-me feliz. Tínhamos saído do Nordeste às duas da manhã. Ela enjoou um bocado na viagem, precisava de descansar. Calo-me?... Ou pioro um pouco mais … e digo-vos que Serena era uma entre…

2 comentários:

Maria das Mercês disse...

De um começo prometedor nasceu um texto lindíssimo!

Susana disse...

Querida Judite, é sempre uma delícia ler-te, independentemente do que esteja escrito para trás e venha para a frente!
Neste caso concreto, acho que se está formando um belíssimo conto, cheio de paralelismos, analogias e palavras por dizer. Como eu gosto.