quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Chamava-se Lex Luthor, vestia de organdi e escrevia para um jornal. Passemos-lhe a palavra: “desculpe, um reparo: eu era colunista. Como sabe, podia escrever para um jornal e eser jornalista. Não, era colaborador da imprensa escrita. Gosto que as coisas fiquem bem assentes e definidas. De resto, sim, chamava-me Lex Luthor e vestia de organdi. Perguntam-me muitas vezes – Porquê o organdi? E eu então nessas coisas sou muitoo…e então respondo logo com uma pergunta – porque não o organdi? Era colunista e tinha uma coluna sobre …vão rir-se… gastronomia. Era um jornal de grande expansão. Já se vê que assinava com um pseudónimo, António Alberto da Silva. Já devem ter visto este nome por aí. Suponho que ninguém havia de ler uma coluna assinada por Lex Luthor ou pelo menos não lhe daria grande crédito, o que de certa forma não serviria os meus objectivos.
Ao contrario do que se possa eventualmente pensar, não entendo nada de gastronomia. Nem sequer como consumidor porque simplesmento não tenho prazer em comer. Faço-o porque dizem ser bom para manter a saúde no seu lugar. Então porque escrevo sobre gastronomia? Já sabia que mo queriam perguntar. Sinto-vos impacientes: “vá lá. Porquê, porquê?" Apesar de escrever sobre gastronomia e de ter dado à minha coluna o título A Coluna de Gastronomia, a verdade é que não escrevia sobre gastronomia. Reparem – assinava com um nome falso e a coluna não versava os sabores e a sua preparação. Bem, vou tirar-vos da angustia que devem estar a experimentar. Escrevo sobre a mentira.
Fascinam-me a mentira e as suas variações como o boato, as meias_verdades, o diz que disse. E o meu objectivo é bastante ambicioso – sugerir aos leitores que evitem com que se trate a mentira como algo soez e se a possa requalificar como uma actividade de futuro , uma mais valia para o progresso da humanidade.

6 comentários:

leonor disse...

Um conto sobre a dignidade da mentira.
Um jornalista que não se deixa tiranizar pelos factos.
Uma coluna sobre gastronomia, escrita por quem não gosta de comer.
Hum... isto promete, Mário.

leonor disse...

Esqueci-me do mais importante, de tal forma fiquei em órbita: qual o lugar do Super-Homem nesta história?
Nuno, terás a resposta?

Maria das Mercês disse...

Eu estou... sem palavras... Chamar-se Lex Luthor (olha o peso histórico!), vestir de organdi (como a Nini) e escrever (falsamente) sobre gastronomia!?! Devia ser sobre astronomia, para poder encontrar a kriptonite! Mário, a tua imaginação é absolutamente delirante! Beam me up, Scotty!

magui disse...

Meninas, vocês não repararam...
ele diz "…chamava-me Lex…”

Adorei!!!

Mário disse...

Muito bem observado Magui. Quando a semana tiver oito dias passas a fazer parte do Corpo Insólito. Meninas, espero que tenham em consideração esse pormenor, para fazerem seguir a história em frente.

Susana disse...

Mário, e agora para algo completamente diferente, hein?!
De ti nunca, mas nunca, se sabe o que virá. Gosto disso.
Ora aqui há pano para mangas... desde logo pela multiplicidade de referências, pequenos apontamentos desconexos (aparentemente), que abrem um jorro de hipóteses aos seguintes, como se quer. Belo início.